Manifestações Públicas: Posicionamento Inicial

VTendo em vista que minha proposta é a de incentivar o pensamento e reflexão, tendo como objetivos secundários sair da superficialidade com que as coisas são analisadas, claro que tenho que dizer algumas palavras sobre as manifestações que começaram a ocorrer em todo Brasil. Mas essas palavras nada mais são do que sugestões, alertas e lembretes.

A primeira coisa com a qual devemos ter mais cuidado é a dedução imediata, a conclusão rápida, melhor ainda, com o julgamento apressado. Vejo várias pessoas já com opiniões sólidas sobre algo que nem mesmo começou a acontecer realmente. O preocupante é que essas opiniões são, na maioria, aquilo que as pessoas puderam entender, ou seja, a interpretação, do que outras pessoas, “famosas” ou formadoras de opinião, disseram em algum momento.

Parece que as pessoas tem pressa em atacar algo que as incomoda de alguma forma. E, para isso, usam, de forma até mesmo distorcida, as primeiras opiniões que reforçam algo negativo em relação aos acontecimentos. Ou seja, é como se eu pensasse: “não tenho a menor ideia se esse cara está dizendo algo relevante, mas se ele é contra, vou adotar a opinião dele”.

E quanto ao medo das pessoas? Pude presenciar nesta semana um medo quase incompreensível em muitas pessoas ao meu redor. Várias empresas fechando as portas e dispensando seus funcionários frente a uma iminente manifestação pública, como se fosse haver um arrastão de bandidos em praias cariocas! Espere um pouco. O que é isso? Por que esse medo? De onde vem isso? Temos mesmo motivos para isso? Não se trata apenas de uma manifestação pública?

Me dá medo mesmo quando vejo esse medo quase irracional nas pessoas ao meu redor. Ao invés de pensarem, de analisarem a situação, o que está ocorrendo, de forma menos pessoal, fogem de uma manifestação como se a mesma fosse mesmo tal do arrastão. E olhe que não são pessoas despreparadas e sem acesso à informação. Muito pelo contrário. Bem, essa atitude não é tão inesperada assim se pensarmos numa cultura que não pensa e que apenas espera ouvir aqueles que pensam por ela. Faz sentido.

Qualquer conclusão sobre o que está acontecendo de fato, sobre o que são verdadeiramente esses movimentos, quem está por trás disso, neste momento é quase que obrigatoriamente falha. A verdade é que não sabemos ainda o que está acontecendo.

No meio das pessoas que formam tais movimentos, existem diversos interesses em jogo e, quase todos, para fazer você ter uma opinião a respeito. Há o interesse político-partidário, interesse dos poderes vigentes, dos candidatos ao poder, da mídia, da imprensa, de várias tribos, de pessoas comuns, todos, atuando (isso mesmo, atores) em prol de interesses nada nítidos. É simples e lógico: se você já tem uma opinião sólida formada a esse respeito, ela é falha.

Se você optou por classificar, rotular ou julgar tudo o que está acontecendo tendo como base apenas como tudo isso atrapalha seu dia-a-dia, sua conclusão é muito mais que falha. Só mostra um grau de alienação assustador, assim como uma falta total da noção de cidadania e coletividade. Queira você ou não, você não é um mundo à parte. Caso você pense assim, o melhor a fazer, a melhor forma de você ajudar, é ficando quieto e privando as pessoas de seus comentários necessariamente pobres e alienados.

Portanto, minha sugestão é:

Calma. Não tenha pressa em analisar e em concluir. Ainda não sabemos de fato o que está acontecendo. Trata-se de algo que está tomando forma. Que está no início apenas.

Cuidado com as informações “fora de contexto”, quando algo é propositalmente separado do todo, a fim de que você tenha uma percepção falha, induzida, tendenciosa, a favor de quem recorta e divulga tão informação.

Tendo em vista que é quase impossível encontrarmos meios de comunicação imparciais, ou sem interesses, tente analisar o que todos eles dizem, junto com a própria informação passada pela própria população que participa desses movimentos, e tente, com calma, analisar todos os pontos. Antes de concluir, converse com as pessoas e use os diferentes pontos de vista para chegar às suas conclusões. Mas, tendo em vista que, nossa percepção será sempre incompleta, tente fazer com que suas conclusões sejam flexíveis, ou seja, temporais, passíveis de serem mudadas.

Qual é a minha opinião?

Simples. Ainda não está formada. Mas estou curioso. Muito. Ver a população reagir a fatos que há muito tempo superam o limite do absurdo, pra mim é algo que considero muito bom. Porém, pelo fato de ainda não sabermos com clareza tudo o que está acontecendo, pelos motivos escritos aqui, e muitos outros não escritos, estou curioso, mas em alerta. Sem pressa de concluir e querendo observar de perto.

Espero que o que esteja acontecendo venha a ser muito bom para todos. E se for, não há o menor problema que no início, eu mesmo seja afetado por algo. Não há o menor problema que minha zona de conforto seja abalada. Tudo piora muito antes de começar a melhorar.

Espero que tudo o que está acontecendo possa ser usado ao menos para o começo do hábito de pensar, de refletir, de questionar, de ir mais fundo nas coisas, de pensar menos individualmente e mais coletivamente. Isso por si só já ajudaria a formar uma sociedade melhor.

Roni Adame

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