Hitler, o Nazismo e o Cristianismo


NazismoCreio ser hoje uma data importante e pertinente para relatar alguns fatos e informações sobre a “religiosidade” de Hitler, sobre as ligações nem sempre sutis do nazismo com a Igreja e sobre o antissemitismo cristão, este último já abordado por mim na postagem “Sobre o Antissemitismo Católico“.

Há exatos 124 anos, numa data muito triste não somente para os judeus como para todo o globo, nascia Adolf Hitler, o líder do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (em alemão Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, NSDAP), também conhecido por Partido Nazi (português europeu) ou nazista (português brasileiro), uma abreviatura do nome em alemão (Nationalsozialistische), sendo ainda oposição aos sociais-democratas, os Sozi, Hitler se tornou chanceler e, posteriormente, ditador alemão. As suas teses racistas e anti-semitas, assim como os seus objetivos para a Alemanha ficaram patentes no seu livro de 1924, Mein Kampf (Minha luta).

O que poucos sabem é que Hitler sobreviveu sem ferimentos graves a 42 atentados contra sua vida, e que, devido a isso, ao que tudo indica, Hitler teria chegado a acreditar que a “Providência” estava intervindo a seu favor.

É aqui que quero chamar a atenção dos curiosos em geral. Ao contrário do que pensa o imaginário popular, Hitler não era ateu. Muito pelo contrário. Como mostram os fatos, Adolf Hitler era adepto do Cristianismo e tinha a Igreja como uma aliada silenciosa. O fato de, historicamente, os judeus terem condenado Jesus à morte era mencionado por Hitler como mais um argumento de seu ódio pelos judeus.

Na história do Cristianismo, Saulo, que se tornou Paulo, empenha todo o seu ardor em desfazer o judaísmo – o mesmo ardor que ele tinha antes do caminho de Damasco, ao perseguir os cristãos, dar uma mãozinha para espancá-los, até para fazê-los encontrar o além mais rapidamente. Para vender a seita à qual havia aderido, passou a vender a idéia de que Jesus era o Messias anunciado no Velho Testamento e de que Cristo (Jesus “Cristo” foi sua invenção) abolia o judaísmo cumprindo-o. Como os defensores de Iaveh (os judeus) não acreditavam na lorota do “Filho de Deus morto na cruz pela salvação da humanidade” (conceito também inventado por Paulo), tornam-se fundamentalmente adversários e logo depois inimigos.

A versão cristã da morte de Jesus supõe a responsabilidade dos judeus, não dos romanos. Pôncio Pilatos, nem responsável nem culpado. Paulo afirma isso tudo falando dos judeus que “mataram Jesus o Senhor” (1 Ts II, 1 5). Os evangelhos estão repletos de passagens abertamente antissemitas. Goldhagen destaca um número considerável: cerca de 40 em Marcos, 80 em Mateus, 130 em João e 140 no Ato dos Apóstolos. Em João (Jo VIII, 44), Jesus em pessoa teria dito que os judeus tinham “o diabo como pai”. Um contexto nada favorável para se “amar ao próximo” (vale a pena destacar que Marcos, Mateus e João não foram os verdadeiros autores dos evangelhos e que, sendo judeus, jamais falariam mal de seu povo).

Repare na “carga” que os Judeus já carregavam por terem sido os “responsáveis” pelo assassinato do deus cristão (tantas acusações são curiosas por serem antagônicas ao ensinamento cristão de que Cristo já teria vindo disposto a morrer na Cruz para salvar a humanidade). Hitler, ao ser adepto do Cristianismo, herda toda essa visão de judeus assassinos de seu Deus. Vamos a alguns fatos…

A Igreja Católica aprova o rearmamento da Alemanha, contrariando o Tratado de Versalhes, e, contrariando também, parte dos “ensinamentos” de Cristo, especialmente os que falam de amor ao próximo.

A Igreja assina um acordo com Hitler desde a chegada do chanceler ao caso, em 1933.

A Igreja também silencia sobre o boicote aos comerciantes judeus. Cala-se quando da proclamação das leis raciais em Nuremberg, em 1935.

A Igreja mantém-se em silêncio por ocasião da Noite dos Cristais em 1938.

A Igreja fornece seus arquivos genealógicos aos nazistas, que sabem assim quem é cristão, portanto não-judeu.

A Igreja alega, em contrapartida, o “Segredo Pastoral” para não comunicar o nome dos judeus convertidos à religião de Cristo, ou casados com um deles.

A Igreja sustenta, defende, apóia o regime oustachi nazista de Ante Palevic na Croácia.

A Igreja dá sua absolvição ao regime colaboracionista de Vichy em 1940.

A Igreja, embora sabendo da política de extermínio instaurado desde 1942, não a condena, nem privadamente nem publicamente, e nunca ordena a nenhum padre ou bispo que ataque o regime criminoso diante dos fiéis.

Os exércitos aliados libertam a Europa, chegam a Berchtesgaden e descobrem Auschwitz. O que faz o Vaticano sobre isso? Continua apoiando o regime desfeito. A Igreja Católica, por intermédio da pessoa do cardeal Bertram, ordena uma missa de Réquiem em memória de Adolf Hitler.

A Igreja silencia e não manifesta nenhuma reprovação por ocasião da descoberta das valas comuns, das câmaras de gás e dos campos de extermínio. Em vez disso, faz para os nazistas sem “Fuhrer” o que nunca fez para nenhum judeu ou vítima do nacional-socialismo: organiza um trâmite de exfiltração dos criminosos de guerra para fora da Europa. Com isso, usa o Vaticano para a expedição de documentos carimbados com seus vistos. Ativa uma rede de mosteiros europeus como esconderijos, para garantir a segurança dos dignitários do Reich desmantelado. A Igreja nomeia em sua hierarquia pessoas que ocuparam funções importantes no regime hitleriano.

A Igreja esperou 400 anos para mostrar algum arrependimento quanto ao caso Galileu. Porém, existe algo que a impede de se desculpar. O Papa, sendo considerado Deus na Terra, não erra. Se não erra, como pedir desculpas? A inexistência de qualquer erro por parte da Igreja foi oficialmente promulgada com o “Dogma da Infalibilidade Papal”, proclamado no primeiro concílio do Vaticano (1869 – 1870), “Pastor Aeternus”, o qual proíbe o questionamento da Igreja, uma vez que o soberano pontífice, quando se exprime, quando toma uma decisão, não o faz como homem suscetível de se enganar, mas como representante de Deus na Terra. constantemente inspirado pelo Espírito Santo. Podemos deduzir que, dentre outras características, o Espírito Santo era também fundamentalmente nazista?

Além de permanecer em silêncio sobre o nazismo, a Igreja não deixa de tomar iniciativa também contra os comunistas. Fiel à tradição da Igreja que, por “graça” de Pio IX e Pio X, condena os direitos do homem como contrários aos ensinamentos da Igreja, Pio XII, o papa amigo do nacional-socialismo, excomunga em massa os comunistas do mundo todo em 1949 e afirma o concluio dos judeus e do bolchevismo como uma das razões de sua decisão.

Vale a pena um lembrete importante: nenhum nacional-socialista importante, nenhum nazista de alto escalão, ou que fizesse parte do Estado-Maior do Reich, foi excomungado. Nenhum grupo foi excluído da Igreja por ter ensinado e praticado o racismo, o antissemitismo, ou por ter feito funcionar câmaras de gás. Adolf Hitler não foi excomungado. Seu livro “Minha Luta” nunca foi colocado no “Índex“. Lembremos que, depois de 1924 – data da publicação de “Minha Luta” – o tal Index Librorum Prohibitorum acrescentou à sua lista – ao lado de Pierre Larousse, culpado pelo Grand Dictionnaire Universal – Henri Bergson, André Gide, Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre. Esses foram considerados proibidos e Hitler jamais.

O imaginário popular, que nunca resiste a qualquer análise mínima, menos ainda à leitura dos textos, considera Adolf Hitler um ateu fascinado pelos cultos nórdicos, aficionado por um Wagner de cabo a rabo, por Walhalla e pelas Valquírias de peitos opulentos, um anticristo – a exata antinomia do Cristianismo. Além da dificuldade de ser ao mesmo tempo ateu e pagão – negar a existência de Deus e dos deuses ao mesmo tempo em que acredita neles – para afirmar seu “ateísmo”, seria preciso ignorar todas as passagens da obra escrita “Minha Luta” (Hitler), de sua obra política (ausência no Reich de perseguições à Igreja Católica, ao contrário das Testemunhas de Jeová), das confidências particulares do “Fuhrer” (conversas publicadas com Albert Speer) em que

Adolf Hitler diz, sem qualquer ambiguidade, e de maneira constante, tudo o que pensa de bom do cristianismo.

Por acaso seria decisão de um Fuhrer ateu mandar inscrever no cinturão dos combatentes de suas tropas a frase “Gott mit uns”, ou “Deus marcha conosco”? Pois é. Esta frase procede da Bíblia, mais especificamente do livro “Deuteronômio”, também um dos livros da Torah (Dt XX, 4), frase extraída dos discursos que Yaveh dirige aos judeus que partem para combater seus inimigos, os egípcios, aos quais Deus promete nada mais nada menos que um extermínio total (Dt XX, 13).

Seria decisão de Fuhrer ateu obrigar todas as crianças da escola pública alemã a começar o dia no Reich Nacional-Socialista recitando uma prece a Jesus? Observe. A prece não se refere a “Deus” – o que poderia fazer de Hitler apenas um deísta – mas especificamente a Jesus Cristo, o que define Hitler explicitamente como cristão.

O mesmo Fuhrer, que se difunde popularmente ser ateu, ainda pede a Goering e a Goebbles, na presença de Albert Speer – que relata a conversa – que permaneçam no seio da Igreja Católica, como ele o fará até seu último dia.

Roni Adame

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Fontes:

Wikipédia

Tratado de Ateologia, de Michel Onfray

Sobre o Antissemitismo Católico


Estrela_AmarelaSabemos que os judeus, antes dos nazistas, nunca haviam sido “marcados”. Hitler usou um procedimento inédito e assustador ao fazer com que os judeus utilizassem a estrela amarela em público, como um sinal distintivo de sua condição judaica. Mas essa “marcação” do povo judeu teria sido mesmo algo inédito e de autoria de Hitler? Como veremos, longe disso…

O uso da estrela amarela foi instaurado por decreto de 1o de setembro de 1941, assinado por Reinhard Heydrich, chefe dos RSHA, o Reichssicherheitshauptamt (Escritório Central de Segurança do Reich). Porém, esse procedimento não foi uma invenção nazista e, muito antes de 1941, uma outra “nação”, muitíssimo conhecida por todos nós, já o havia inventado e executado. Trata-se da Igreja Católica.

A marcação dos israelitas pela Igreja Católica já se fazia presente na era medieval através do uso de signos distintivos. A idéia de impor a marcação na vestimenta, estigmatizando os herdeiros da lei mosaica, surgiu durante o 4o Concílio de Latrão, convocado pelo Papa Inocêncio III, de 11 a 30 de Novembro de 1215.

Este blog já havia mencionado o Papa Inocêncio III na página Papa – Um pouco de História. Abaixo segue sua famosa “definição” do homem, tirada de sua obra De Contemtu Mundi:

Papa_Inocencio_III“… o homem é concebido por meio de sangue estragado e a única companhia do seu cadáver são os vermes e o túmulo. Vivo, produz piolhos; morto, produz vermes e moscas. Vivo produz excrementos e vômitos; morto, fedor e podridão. Vivo, engorda somente a si mesmo; morto, engordará milhares de vermes. Para que servem as riquezas, os banquetes, os prazeres? Ó mãe, por que gerou este filho da amargura e da dor? Ó indigna baixeza da condição humana! Olhem para as ervas e as árvores, elas produzem flores e frutos e você só produz piolhos. Elas oferecem óleo, vinho e perfumes, no entanto você só produz escarro, fezes e urina. Elas exalam uma fragrância de perfumes; você só emana o fedor da sua corrupção…”

Mas por que a Igreja Católica decidiu marcar os judeus? O que foi decidido no no 4o Concílio de Latrão? A marcação decorreu da proibição imposta aos judeus de ocupar funções de comando, de ter relações profissionais e sociais com os cristãos e até mesmo de sair às ruas durante a Semana Santa.

A política segregacionista supunha que pudessem ser identificados com facilidade. Mas os 412 bispos que participaram do concílio ainda ressaltaram: “Se em determinadas províncias as roupas dos judeus se distinguem das roupas dos cristãos, já em outras ocorre muita confusão, fazendo com que os judeus não possam ser por nenhuma marca distintiva. Para que o crime de tal mistura maldita (e Hitler não pensaria exatamente da mesma forma no futuro?) não tenha mais desculpa no futuro, decidimos que os judeus dos dois sexos, em todas as terras cristãs, se distinguirão publicamente dos outros povos por suas vestimentas”.

Segregacao_EuropeiaImpressiona (ou não?) a rapidez com a qual os Estados europeus se dedicaram a adotar tal medida – a marcação do povo judeu. Depois da Itália em 1216, a Alemanha promulgou decreto impondo aos judeus o uso de um ridículo e vergonhoso chapéu pontiagudo. Três anos depois, na Inglaterra, foi estabelecido que uma reprodução das “Tábuas da Lei” deveria ser costurada sobre as roupas dos judeus. Em 1227, na França, o concílio provincial de Narbonne inovou, à sua maneira, obrigando os judeus a ostentarem uma rodela de tecido colorido, que supostamente lembraria a traição de Judas. Em 1269 essa medida seria ampliada para toda a França. A Espanha já havia adotado tal medida desde 1231.

Como podemos ver, muito antes do Nazismo, a Igreja Católica já havia marcado e segregado os judeus, o que não deixa de ser, além de obviamente muito triste, também muito curioso, tendo em vista que o cristianismo teve suas origens dentro do próprio judaísmo.

Para que o leitor possa refletir um pouco mais, já que estamos falando em Igreja Católica e Nazismo, termino com um “detalhe” histórico sobre o final da segunda guerra mundial…

Quando os exércitos aliados libertaram a Europa, chegaram a Berchtesgaden e descobriram Auschwitz, qual foi a postura do Vaticano? A Igreja Católica, por intermédio da pessoa do Cardeal Bertram, ordena uma missa de Réquiem em memória de Adolf Hitler.

Referência Bibliográfica:

História Viva

Onfray, Michael – Tratado de Ateologia